Comunicação e o Poder nas Cidades
Ivonete Maia
23/10/2007
Faz poucos dias, recebi de uma irmã, que mora na Grande São Paulo, jornal editado pela Prefeitura de Diadema. Não poderia ser diferente: seu conteúdo mostra as realizações do gestor, em todas as áreas. Mais do que isso, traz a opinião de pessoas sobre o trabalho e as metas alcançadas, com fotos de donas-de-casa, de jovens, de crianças, de trabalhadores, enfim, a aprovação e o aplauso.
Está certa a Prefeitura ao escolher a forma, a meu ver, mais adequada para se comunicar com os munícipes - o jornal impresso, que incentiva a leitura, a avaliação do que é veiculado, a concordância em relação ao conteúdo e, se for o caso, a contestação. A comunicação se faz, assim, com todas as possibilidades de sucesso, pois atinge seus objetivos e suas finalidades.
Mas não ficou só nisso: com o jornal veio um encarte com toda a programação cultural da cidade, eventos para todos os gostos e todas as idades, cobrindo um longo período. Completava-se o esforço de comunicação, naquele momento, por parte da Prefeitura.
De Diadema para Fortaleza. Vi, recentemente, impresso da Prefeitura, acerca da agenda cultural da cidade. Uma enorme relação de acontecimentos, também para todos os gostos e para todas as idades. Ponto para a gestão.
De Fortaleza para o interior. Recebia, mas não recebo desde algum tempo, o Correio de Russas. Mensal, divulgava ações da Prefeitura, também veiculava matérias reivindicatórias, enfim, poderia ser um instrumento de grande valia para a instauração de um processo de comunicação da comunidade com a gestão pública, impelindo-as ao exercício do direito de saber e do dever de informar.
Perceberá o leitor, a predileção que tenho pela informação impressa. Uma simples razão é invocada e vale repetir: o texto impresso pode ser avaliado, aceito ou contestado. Mas não minimizo as possibilidades do Rádio a serviço da informação, do debate de situações e de idéias, da formação da opinião pública e da capacidade crítica da audiência.
E é por isso mesmo, penso, que tantas emissoras de rádio são concedidas a pessoas e grupos político-partidários, em todos os níveis.
Há dois momentos vivenciados por mim, vindos à memória: numa cidade do interior do Ceará, acho que foi em Icapuí, na primeira gestão do PT. Em espaços do centro da cidade , uma espécie de prestação de contas resumia os valores recebidos e a sua aplicação. Ponto para o gestor. Dava-se ao cidadão a chance de exercer um certo controle sobre assunto relevante. Noutro momento, em Moscou, na década de 70, observei grupos, muitos grupos de pessoas em paradas de ônibus e nas estações do metrô, lendo. Lendo o quê? Os feitos dos seus governantes. Com todas as restrições que possam ser feitas, era também uma forma de comunicação com o povo.
Muitas indagações caberiam neste final. Pelo menos uma, que poderia suscitar algumas conclusões: sem generalizar, por que será que tantos gestores renegam a idéia de dar satisfações à comunidade, de se expor à sua avaliação e ao seu julgamento? Esquisito!